O futuro é elétrico

O futuro é elétrico

É inegável: a ação humana sobre o planeta que habitamos é insustentável. Vários são os sinais dessa relação conturbada, apesar de alguns negacionistas fazerem bastante barulho afirmando o contrário. O planeta está mais quente, o gelo do ártico está derretendo, a concentração de CO2 na atmosfera é muito alta e isso não é opinião, é fato. Onde acústica entra nessa história? O monitoramento de ruído pode ser um bom indicador de emissões dos gases de efeito estufa e de locais com baixa qualidade de ar (veja aqui, em inglês). Os maiores poluidores da atmosfera, são também os principais emissores de ruído: automóveis e indústrias, sendo os automóveis responsáveis por cerca de 45% das emissões de CO2 em Beijing, na China, uma das cidades mais poluídas do mundo.

Percebe-se que a relação entre poluição sonora e poluição do ar é bastante estreita, inclusive nos efeitos que causam na saúde, sendo possíveis causadoras de doenças cardiovasculares (esse artigo trata sobre o assunto ). Uma das principais alternativas para reduzir essas emissões já existe desde o início da história do automóvel: carros elétricos. Os primeiros exemplares foram criados ainda no final do século XIX, mas foram totalmente suplantados pelos veículos à combustão após o lobby petroleiro que se seguiu à descoberta de grandes reservas de petróleo nos EUA. Essa descoberta promoveu uma maior oferta de combustível e barateou e incentivou a produção de veículos a combustão, que se tornaram a norma.

Por que mudar?

Essa alternativa se apresenta muito vantajosa nos dois tipos de poluição mencionados até aqui: poluição atmosférica e poluição sonora. Primeiro, porque as emissões de CO2 são nulas. Como não existe queima de combustíveis, não existe emissão de gases poluentes. Pelo viés das emissões de ruído, porque motores elétricos são silenciosos. Se isso, por si só, já não bastasse para investir na substituição dos automóveis à combustão, podemos olhar para alguns números.

A ONU produziu, por meio do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), pesquisa com estimativas dos benefícios da adoção de veículos elétricos (leia mais aqui). Em resumo, a adoção de ônibus e táxis elétricos em 22 cidades de 12 países da América Latina até 2030 promoveria economia de 60 bilhões de dólares, reduziria 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o que poderia evitar a morte de 36.500 pessoas, devido a problemas respiratórios relacionados à qualidade do ar.

Por onde começar?

As frotas de ônibus são o melhor ponto de partida para uma transição para a mobilidade elétrica. A maior parte dos ônibus são movidos à combustão de diesel, muito poluentes. O sistema de transporte público é regulado pelo poder público, isso faz com que os agentes incentivadores da mudança sejam as próprias prefeituras, tirando a dependência de ações individuais. Além disso, os ônibus são “abastecidos” em sistemas centrais , o que demandaria uma estrutura robusta, porém não muito distribuída, facilitando a implantação (mais informações podem ser encontradas aqui).

China, a pioneira

A China é o país que mais investe em recursos renováveis, em redução de emissão de poluentes e tecnologias verdes, apesar de só ouvirmos falar sobre a poluição do ar no país. Parte desses esforços são vistos na cidade de Shenzhen: em dez anos a cidade concentrou esforços na redução das emissões, tornando-se em 2018 a primeira cidade do mundo a ter frota de táxis e ônibus 100% elétrica (leia sobre aqui). Além do transporte público, há um incentivo e infraestrutura enormes à adoção dos veículos elétricos domésticos, o que torna a China o país com maior número de veículos elétricos (carros, bicicletas, ônibus, táxis) do mundo. Inclusive, a maior fabricante de veículos elétricos do mundo é a BYD (Build Your Dreams), chinesa. E é justamente da BYD que vêm os ônibus que estão transformando a mobilidade no Chile.

Chile, o vizinho exemplar

Primeiro eletroterminal de ônibus da América Latina.

A BYD, mencionada logo acima, ganhou em 2019 um contrato de fornecimento de 183 ônibus elétricos para compor a frota do transporte público de Santiago, no Chile. Somando-se aos já existentes, a capital chilena contará com 285 ônibus elétricos, segunda maior frota do mundo, perdendo apenas para a China.

Também no ano passado, foi inaugurado o primeiro eletroterminal de ônibus da América Latina, que possibilita a recarga simultânea de até 138 ônibus (veja aqui).

Situação brasileira

No Brasil, Campinas aspira o posto de cidade com maior frota elétrica do mundo fora da China. Essa aspiração toma forma no projeto de substituição de metade de sua frota por veículos elétricos num contrato de concessão de 15 anos (veja o link). Mas por enquanto, a líder brasileira é a capital paulista. São Paulo conta hoje com a maior frota de ônibus 100% elétricos do país com 15 ônibus da fabricante (adivinha?) BYD, operando a linha 6030-10, na Zona Sul.

 

O futuro é elétrico

O caminho para a transição dos veículos de passeio para propulsão elétrica ainda é longo, mas vemos movimentações acontecendo no transporte público das grandes cidades brasileiras, seguindo uma tendência mundial que ano a ano ganha força. Para o bem de nossa saúde, o futuro é elétrico.

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